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Alimentos Basicos

Roça de mandioca brava ©Makaulaka Mehinako

     O dia-a-dia da comunidade é cuidar da roça de mandioca brava, porque dela é extraída e aproveitada todas as substâncias: o polvilho, a massa e o caldo. A casca, no fim, é jogada fora para virar adubo, alimentando outros seres. 

     Na aldeia existe a divisão do trabalho entre mulheres e homens. Roçar e plantar mandioca ou cuidar das plantações de mandioca é obrigação do homem e, às mulheres cabe, por sua vez, a sua colheita, buscando-a na roça e preparando-a para fazer beiju, mingau e a perereba.  

     Mandioca brava é tudo para o povo Mehinako e Alto Xingu. Ela é o alimento básico do povo e de grande valor. Sem ela, os Xinguanos se sentem pobres em alimentação. Sem a mandioca a comunidade vê impossibilitada a realização de suas festas e do trabalho em mutirão.  

     Por isso todas as manhãs as pessoas saem com seus filhos para a roça e trabalhar e cuidar das plantações, carpindo e replantando a rama de mandioca nas covas para garantir futura alimentação.

     Entre abril a junho é período das roçadas. Agosto e setembro são os meses em que se queimam as roças, pronto para iniciar o plantio. Essas são épocas adequadas para atividade de plantio, sendo que no início do tempo seco sem chuva é a época boa para sua colheita.   

     Para povo Mehinako o valor da roça de mandioca está associado ao valor da pessoa e sua riqueza. Uma pessoa sem roça é considerada sem futuro, sem sucesso, preguiçoso, sem valor, desmerece casar com uma menina de família. O rapaz precisa se preparar para todo esse trabalho antes de se casar, para que possa ter roça própria sem depender de outros. Sinal de que quando se casar será um casal feliz, que saiba manter a vida dos filhos sem passar por necessidade de alimento. São essas ideologias que se tem em torno do valor alimentício da mandioca ligado ao humano.

     Ultimamente têm ocorrido mudanças com relação aos valores e riqueza alimentícia ligada à pessoa. Muitos rapazes já casam sem comprovar a competência de produzir. A compreensão da família de menina com relação a isso tem sido bom, porque o rapaz não precisa de tudo aquilo para viver, e o que der para fornecer já está bom.

     Alguns rapazes que conhecem o mundo do branco também dá oportunidade para que ele se case com uma moça, sem obedecer à rigidez e às regras do casamento. Porque pode retribuir com que ganha, adquirindo alguma mercadoria de necessidade da família da menina e o rapaz deve saber compartilhar com o que ganha 

Peixe (Kupatü)


Peixe moqueado na bacia em distribuição num período preparatório de festa Kuarup.  ©Makaulaka Mehinako

     Pescar o peixe para garantir a comida em casa é da responsabilidade do homem. O peixe é consumido com beiju. Com o que sobrar do peixe tal é moqueado para se comer no amanhecer do dia.

     Os peixes são distribuídos entre os membros da família. Se for o caso de que haja muito peixe, é necessário que se forneça à comunidade, levando para o centro da aldeia para que todos possam assar e comer.

     O peixe é tudo para nosso povo, sem ele não existe vida na aldeia, não se realiza festas nem se faz trabalho em mutirão. O peixe faz parte da nossa cultura forte e diretamente, por isso tem grande valor para nós.

     Pirão de peixe e peixe moqueado é oferecido nas ocasiões importantes, festas, rituais e trabalhos.

     A menina, na sua primeira menstruação, ao terminar esta deve comer o peixe em sua casa diante de todo mundo. O pai dela deve chamar um homem de sua família para dar peixe para sua filha, e se preferir convidar o cacique para dar-lhe o peixe, também não tem problema. A partir daí ela está livre para comer peixe durante a reclusão, menos comê-lo quando estiver menstruada.

      Peixe não deve, de maneira alguma, ser consumido pela mulher menstruada, que deve ficar afastada sem tocá-lo nem prepará-lo durante esse período. Se tocada e consumida por ela, as pessoas teriam nojo dela e ela pode se tornar uma mulher barriguda e fofoqueira por causa disso.

     A carne de caça não serve como consumo do dia-a-dia na aldeia. Somente caça-se para consumo de mulheres menstruadas e na ausência de peixe,